Meu Blog

Carissímos,

Meu blog pessoal está em:

www.orisaifa.blogspot.com

São materias voltadas para um tema que me apaixona e me toma muitas horas de estudo.

O Oráculo Sagrado de Òrúmìlá / Ifá e todos os assuntos inerentes a este mundo de vasta sabedoria que o Pequenino de Ado (Òrúnmìlá) nos legou.

A quem se interessar pelo assunto, desejo uma ótima leitura.

 

Òrúnmìlá ki ba se o.

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ELENÌNÍ, A DIVINDADE DO OBSTÁCULO SAGRADO.

Woribogbe, (Iwori Ogbe) um dos Odù mais velhos (discípulo) de Òrúnmìlá, nos revela a influência em nossas vidas da divindade chamada “Infortúnio”. Elenini (Ido-Boo) é a guarda da Câmara interna do Palácio divino de Eledumare, aonde todos vamos nos ajoelhar para fazer os pedidos e juramentos para a nossa permanência no mundo. Uma vez tendo completado as providências para nossa partida, seremos conduzidos por nossos “Eledá” à câmara interna, aonde fazemos nossos próprios desejos. Eledumare não nos conta o que vai ou não vai acontecer conosco ou nos dar algum desígnio especial. Tudo aquilo que vemos, desejamos fazer ou transformar, Ele simplesmente abençoa dizendo: “- Que assim seja minha criança!” Quando Woribogbe estava indo para a terra, ele fez um pedido, que queria modificar a face da terra, eliminando todo mal e elementos viciosos. Para ser capaz de executar sua tarefa, ele solicitou de Eledumare um poder especial sobre a vida e a morte. Eledumare respondeu que seu pedido estava concedido. Envolvido pelo poder concedido a ele por Eledumare, partiu rapidamente em sua jornada para o Ikole aiye ([terra]. Seu Eledá o relembrou da necessidade de assegurar seus pedidos com Elenini a mais poderosa divindade, mas ele disse ao seu anjo que não havia força maior que Eledumare e desde que ele tinha obtido autorização divina, não via porque se justificar com alguma divindade inferior. Assim que deixou o palácio divino, Elenini inverteu os desejos de Woribogbe. Na chegada ao Àiyé, ele descobriu que ao contrário de seus pedidos, estava se encontrando por acaso em dificuldades. Veio, a saber, que tudo aquilo que ele pediu estava acontecendo sempre ao contrário. Quando ele rezava para pessoas viverem, eles morriam, enquanto aqueles que ele desejava mortos viviam. Ele se tornou muito amargurado e desiludido, por que ninguém se atrevia a ir até ele para consultar o Oráculo, ou pedir auxílio, desde aquilo que havia feito, pagava muito caro por isso. Após passar fome dentro de sua frustração por algum tempo, ele decidiu retornar ao Ikolè Òrun [céu]. Chegando ao Òrun, ele foi ao seu Eledá que o relembrou do aviso dado a ele antes da partida do Òrun. Foi neste ponto que ele concordou em ir ao Oráculo, aonde foi informado a fazer sacrifícios elaborados para Elenini, a mais velha das divindades. Ele fez o sacrifício e retornou subseqüentemente para o Àiyé para uma vida produtiva e realizada.

Este Poema de Iwori-Ogbe, nos mostra mais uma vez a importância de fazermos sacrificios para nossa jornada na Terra, sabemos que nosso Eledà está de plantão torcendo pelo nosso sucesso e vitórias, mas nada acontecerá se não tivermos o entendimento que sem sacrifico não há reconhecimento por parte de nosso òrìsá, sem fé òrìsá não enxerga dentro de nosso coração. Devemos sacrificar sempre: nosso tempo, nosso dinheiro, nossas noites, adimu, animais, nada deve ser dado com qualquer tipo de restrição. Ori tem que estar em comunhão com nossos atos sempre. Esta sintonia somente nos trará favorecimentos e bênçãos.

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O LUGAR DAS FEITICEIRAS NO SISTEMA PLANETÁRIO.

A posição das feiticeiras no sistema planetário é atribuída como os espíritos do mal que operam durante a noite para trazer sofrimentos e padecimentos aos seres humanos. Assim como ao demônio, é esperado de nós que tenhamos medo das feiticeiras e nos mantenhamos a distância delas. No decorrer da minha investigação, eu vim a descobrir que elas pertencem a uma esfera cosmogonia, a qual tem recebido o nome mais antigo Senhoras da Noite.

Veremos em Osa-Meji, como elas vieram e se instalaram no mundo e como se tornaram mais poderosas, ao ponto que nenhuma outra divindade pode derrotá-las. Elas podem frustrar os esforços de todas as outras divindades que falharam em lhes dar o reconhecimento adequado.

Também descobri que elas não são totalmente más como freqüentemente são representadas. Como todo o conjunto de corpos celestiais e terrestres, há feiticeiras boas ou inofensivas e há feiticeiras más ou negras e vermelhas.

Elas administram provavelmente o mais justo sistema de justiça. Elas não condenam sem um julgamento apropriado e imparcial. Se alguém se aproxima delas com uma acusação contra alguém, elas considerarão todos os lados antes de chegar a uma decisão. Ose-Osa e Osameji nos contarão como elas vieram ao mundo e como sobrepujaram todas as outras divindades.

Ọrúnm.lá nos conta porque e como elas não destroem ninguém a não ser que a pessoa tenha atravessado o juramento feito entre Oríşá N’la, Ọrúnm.lá e as feiticeiras. As feiticeiras não matam homem algum que age sinceramente de acordo com o sistema de instituição do povo e tabus proclamados por Deus.

Veremos como Ọrúnm.lá revelou que as feiticeiras foram a princípio mais atenciosas que os meros mortais. Foram os seres humanos que as ofenderam primeiro, matando seu único filho. Acontece deste modo que as feiticeiras e os mortais (Ogborí em Yorùbá e Ogboi em Bini) vieram como irmãs ao mundo ao mesmo tempo. A mortal teve dez filhos enquanto a feiticeira teve apenas um.

Um dia a leiga estava indo ao único mercado disponível naquele tempo, chamado “Oka Ajigbomekon Akota” (Eki Adagbon Aderinnwin em Bini). Estava situado na fronteira entre o céu e a terra. Os habitantes do céu e da terra o usavam para comércio comum, de modo que a leiga indo ao mercado, pediu à feiticeira que cuidasse dos seus dez filhos durante sua ausência. A feiticeira tomou conta muito bem dos dez filhos da mortal e nada aconteceu a nenhum deles.

Então foi a vez da feiticeira ir ao mercado. Seu nome então era Iyami Osoronga em Yorùbá e Iyenoroho em Bini. Tendo ela partido para o mercado, também pediu para sua irmã, para cuidar de seu único filho durante sua ausência. Enquanto ela estava fora, as dez crianças da mortal sentiram vontade de matar um passarinho para comerem. Ogborí falou a suas crianças que se eles quisessem a carne de um passarinho, ela iria ao mato buscar um para comerem, mas que eles não deveriam

tocar no único filho da feiticeira.

Enquanto a mãe foi ao mato, suas dez crianças juntaram-se e mataram o único filho da feiticeira e assaram sua carne para comer. À medida que as dez crianças de Ogborí assassinaram do filho da feiticeira, o poder sobrenatural deu a ela um sinal de que nada estava bem em casa. Ela rapidamente abandonou as compras no mercado e retornou para casa apenas para descobrir que seu filho tinha sido assassinado. Ela não conseguia compreender nada, porque sua irmã foi ao mercado e ela foi bem sucedida cuidando das dez crianças sem nenhum transtorno, mas quando foi sua vez de ir ao mercado, sua irmã negligenciou seu único filho.

Ela chorou amargamente e decidiu abandonar a casa aonde viveu com sua irmã.

Elas tinham um irmão com o qual elas vieram ao mundo ao mesmo tempo, mas que preferiu morar no meio da floresta, porque ele não desejava ser incomodado por ninguém. Era Irókò.

Quando Irókò ouviu a feiticeira chorando, ele a convenceu a revelar o que estava acontecendo, e ela lhe contou como os filhos de sua irmã Ogborí assassinaram o seu único filho, sem sua mãe ser capaz de impedi-los.

Irókò consolou-a e lhe garantiu que a partir daí ele se alimentariam dos filhos de Ogborí. Foi a partir daí que, com o auxílio de Irókò, a feiticeira começou a picar as crianças de Ogborí uma após as outras. Veremos também como Ọrúnm.lá interferiu para impedir a feiticeira de destruir todas as crianças de OgbOrí e o porque a rixa continua até hoje. Foi Ọrúnm.lá que apelou a Irókò e a feiticeira e pediu-lhes que aceitassem, a fim de parar o assassinato dos filhos mortais dos leigos.

É deste modo que Ọrúnm.lá introduziu o sacrifício (Ètutu) de oferendas às senhoras da noite, o qual envolvia um coelho, ovos, fartura de óleo e outros itens comestíveis.

Da mesma maneira como Èşu nós não podemos nos opor as feiticeiras sem o suporte principal adequado. Nós apenas tentamos descobrir por meio do oráculo o que nós podemos lhes dar para angariar seu apoio e no instante em que o fizermos lhes dar o que mais elas pedirem, elas com freqüência descem novamente sobre alguém que não entendeu este aspecto da existência humana, eles são os que caem com facilidade vítimas de bruxaria.

Finalmente Ọrúnm.lá foi decretado pela divinação pública a ser o único capaz de cativar a mulher.

Assim que ele foi abordado para a tarefa, fez os sacrifícios necessários e ao invés de ir ao Ìlú Omuo, com um exército, ele foi com um cortejo dançante o qual adentrou reto para dentro da cidade.

Quando as mulheres viram o longo cortejo de homens maravilhosamente vestidos e mulheres dançando na cidade com melodiosa música, elas perceberam que era momento de voltar para a casa de Ifé. Antes de elas compreenderem o que estava acontecendo, eles já estavam todos de volta a Ifé e havia reconciliação e júbilo geral.

Este incidente ilustra novamente de maneira clara que não é fácil derrotar as forças das feiticeiras por meio de agressão sem apelar para uma autorídade superior. A maneira mais fácil de proceder para com elas é por meio de apascentamento. Ọrúnm.lá não resolve nenhum problema através de confronto a menos que todos os meios possíveis de conciliação tenham falhado. Até mesmo nesse caso, ele freqüentemente ele solicita o auxílio das divindades mais agressivas para fazer o serviço sujo para ele. E ele é uma divindade muito paciente. Ele diz que só podem reagir depois de ter sido ofendido trinta vezes e até neste momento, levar no mínimo três anos para se sentir ofendido, depois ainda dando ao ofensor ampla oportunidade de arrepender-se.

A única força capaz de sobrepujar o poder das feiticeiras é a terra. Em Ose-Osa (Osemolura) teremos a informação de como o próprio Deus proclamou que o solo (Oto ou Ale) seria a única força que destruiria qualquer feiticeira ou divindade que transgredisse algumas das leis naturais. Isto foi proclamado na época quando um Curandeiro do Céu chamado Eye to yu Oke to Yoi Orun tinha se comprometido na destruição das divindades terrestres devido à suas condutas perversas na terra.

Osemolura, quem transportou a mãe das feiticeiras para o mundo, porque nenhum outro tentou fazê-lo, também nos contará que o juramento que Oríşá N’lá fez à feiticeira submeterem-se foi ao solo. O juramento foi submetido em oposição à injustificável destruição de vidas humanas. Conta nos porque as feiticeiras não têm poderes para destruírem o filho sincero de Deus, ambos são seguidores de votos de Ọrúnm.lá.

Veremos também que o enorme poder manuseado pelas anciãs da noite, lhes foi dado pelo Pai Todo Poderoso, na época em que Deus vivia livre e fisicamente com as divindades. Foi dado a feiticeiras o poder exclusivo de manter vigia sempre que Deus estivesse tomando seu banho pouco antes do galo cantar. Era proibido ver Deus despido. As feiticeiras divinas eram as únicas a quem foi dada esta autorídade. Elas freqüentemente davam sinal ao galo que Deus já tinha tomado seu banho, depois disso o galo cantava pela primeira vez na manhã.

Deus não abandona o restante da sua criação à mercê das anciãs da noite. Por meio de Osa-Ose, Ọrúnm.lá revelará como Deus conta conosco para nos proteger contra os poderes das feiticeiras.

Havia uma linda moça no palácio de Deus que estava pronta para casar. Ògún, Osonyin (Oso) e Ọrúnm.lá estavam interessados na garota. Deus consentiu em dar a mão da moça em casamento ao admirador que provasse ser merecedor de sua mão. A tarefa a ser cumprida como prova de elegibilidade para a mão da moça era colher um tubérculo de Inhame da fazenda divina sem quebrá-lo.

Ògún foi o primeiro voluntário a realizar a tarefa. Ele foi à fazenda e desenraizou o tubérculo. Tão logo ele o puxou, quebrou-se, o que logicamente descartava a sua candidatura.

Oso foi o próximo a tentar sua sorte e também passou pela mesma experiência. Foi à vez de Ọrúnm.lá ir até a fazenda. Mas ele não se direcionou diretamente para a fazenda. Ele decidiu descobrir porque aqueles que tentaram antes dele falharam e o que fazer para ser bem sucedido. Ele consultou o oráculo e durante a consulta foi informado do que era desconhecido a todos, Deus tinha nomeado as anciãs da noite para zelar pela fazenda.

Eram elas, portanto, as responsáveis pelos inhames mágicos arrancados quebrarem. Ele foi recomendado a fazer um banquete para elas com àkarà, ẹkọ e todos os itens de coisas comestíveis, e um grande coelho, e também para servir o banquete na fazenda à noite. De acordo ele executou o sacrifício de noite. Naquela noite todas as guardiãs da fazenda divina banquetearam-se com a comida. Na mesma noite, Ọrúnm.lá teve um sonho no qual as feiticeiras enviaram alguém para lhe dizer para não ir a fazenda no dia seguinte. Ele deveria ir um dia depois.

No dia seguinte elas fizeram a chuva cair pesadamente sobre o solo a fim de amolecê-lo.

Depois disto todas as feiticeiras fizeram um juramento solene de não encantar o inhame de Ọrúnm.lá a quebrar.

O terceiro dia, Ọrúnm.lá foi à fazenda e arrancou o inhame com sucesso e o entregou a Deus, que instantaneamente cedeu a garota para ele em casamento.

Deve-se observar que Deus não falou nada aos admiradores da garota sobre a coisa estranha que os aguardava na fazenda. Ele tão pouco lhes disse como solucionar a questão que sabia que iriam enfrentar.

Foi apenas Ọrúnm.lá, que nunca se lançou em algo sem pensar bem antes de agir, ele sabia que era apenas apascentando as feiticeiras que ele poderia pegar o que ele queria.

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O LUGAR DE ÈŞU NO SISTEMA PLANETÁRIO.

Èşu é comumente mencionado como o mal. Nós fomos educados pelas outras religiões que ele era um anjo de Deus que caiu em desgraça e como conseqüência foi expulso do paraíso. De modo mais preciso, ele pode ser descrito como uma divindade mágica. Em geral é considerado como o chefe das forças do mal na divinosfera, ainda que nela existam, além dele, outras divindades mortíferas.

O Rei da Morte destrói maciçamente; Ògún, Şàngó e Sapana não perdoam quando são ofendidos e também destroem com crueldade, contudo eles são divindades agindo conforme sua própria natureza e seus próprios direitos, e não como agentes de Èşu. A penalidade para quem os ofende é a morte. Por outro lado, Èşu pode criar obstáculos no caminho de alguém, somente para dar a vítima à oportunidade de reconhecê-lo; após o que ele pode transformar o infortúnio em boa sorte. Ele é um

trapaceiro, mas apenas para aqueles que o depreciam, ou diminuem. Ele é a divindade da confusão e da incerteza.

Tem havido um esforço consciente para aproximar Èşu da divindade do mal, como o Lúcifer bíblico, de quem também se diz ter caído do céu em desgraça. Mas nós podemos ver claramente que a diferença entre eles é que um existe autonomamente ao lado de Deus, enquanto o outro foi criado por Deus e influenciado por Èşu.

Veremos em Ejiogbe, como Èşu veio a existir. É revelado que a escuridão existiu antes da luz. A escuridão, que é qualquer coisa que não podemos ver através, ou compreender prontamente, representa a força do mal, a qual anuncia a existência de Èşu. Assim como a escuridão anuncia o nascimento de Èşu, a Luz anuncia o advento de Deus. A luz representa a verdade, a bondade, a objetividade, a honestidade e o otimismo. O bem e o mal existem lado a lado e estão em constante e interminável concorrência. Um não é criação do outro, por que o bem não pode ser gerado pelo mal, assim como o mal não pode ser gerado pelo bem.

Na luz dos acontecimentos, a divindade chamada Èşu a que estaremos nos referindo neste livro, é uma entidade que não deve ser vista como independente a Deus. Ele veio a ser ao mesmo tempo do que Deus. A superiorídade de Deus reside no fato de que Èşu não pode criar, assim como Deus é a única autorídade que tem este poder. Mas Èşu pode mutilar, transformar e causar danos quando ele quer, e ele também pode ser construtivo e até imparcial, quando é persuadido a fazer isto. Deus é a

única agência que pode ser boa e distribuir benefícios e bênçãos do começo ao fim. Ele não tem que ser subornado para ser favorável aos seus filhos. Ao inverso, Èşu está sempre aproveitando a oportunidade que tiver para demonstrar que, caso alguém não reconheça a sua autorídade, ele terá meios de obrigar a esta pessoa a fazê-lo, criando-lhe problemas deliberadamente.

Veremos também que Èşu, em sua capacidade de distribuir o mal, pode conquistar as melhores mentes, tomar conta delas e manipulá-las de acordo com sua vontade. Foi esse Èşu que tomou conta da mente de Lúcifer e o fez se voltar contra Deus. Foi também ele quem tomou conta de mente de Judas Iscariotes e o fez se voltar contra Jesus Cristo. É o mesmo Èşu que volta o filho contra o pai, a esposa contra o marido, amigos contra amigos, irmãos contra irmãos, homens contra homens, nações contra nações, a terra contra o céu, etc.

Tem se discutido que ele é quem tem maior quantidade de seguidores dentre qualquer comunidade de criaturas vivas. Não há ser criado por Deus que Èşu não possa manipular, começando com as divindades que Deus criou primeiro, para auxiliá-lo na administração do Universo. Èşu criou tantos problemas para elas que ele acabou usando-as conforme sua vontade. Quando estas divindades perpetraram o mal, tanto umas contra as outras, quanto contra os indefesos mortais, elas o estavam fazendo sob a influência de Èşu e não como servidores de Deus. Algumas destas divindades

pensaram várias vezes que pudessem ignorar Èşu e prosseguir assim.

Conforme descrito no capítulo anterior, que tratava da criação do mundo, Deus mandou suas duzentas divindades preferidas para a terra, mas Èşu veio com elas como a ducentésima primeira

(201 a.) divindade. Todas elas trouxeram consigo instrumentos recolhidos dentro do quarto mais íntimo da casa de Deus, exceto Èşu, que é um fenômeno independente. Esses instrumentos, ferramentas e miudezas que estas divindades trouxeram com elas para o mundo, consistem os materiais com os quais seus seguidores são iniciados para seus cultos em diferentes fé e ordens religiosas até hoje. A diferença entre as outras divindades e Èşu é que ele não tem religião própria e ninguém é iniciado para seu culto exclusivo. Com exceção da pedra procurada na água corrente de um rio, que é usada para preparar seu altar e de seu animal favorito, o bode, não há qualquer outro instrumento ou ferramenta com a qual Èşu possa ser associado. Seu altar em geral é preparado apenas por aqueles que preferem recrutar a sua ajuda, ante ao seu antagonismo, e não que a ele estejam servindo de alguma outra maneira discernível.

A verdade sobre o lugar de Èşu na divinosfera é que esse é o lugar mais traiçoeiro e enganoso de todos. Nós iremos descobrir mais tarde nesses livros, que logo depois que ele veio ao mundo com essas divindades, elas todas tentaram mantê-lo isolado e à parte. Elas se recusaram a reconhecer seu poder e autorídade. Veremos também que problemas ele criou para todo o grupo como estratégia para obrigá-los a reconhecerem seus poderes. Descobriremos que quando todas as divindades resolveram vir ao mundo para definir sua própria posição na hierarquia, elas concordaram que cada uma festejaria todas as outras em suas próprias casas, seguindo uma ordem hierárquica de Antigüidade. Oríşá N’Lá estava indicado para ser o primeiro, uma vez que tinha sido escolhido como representante do próprio Deus na terra. Èşu de certo modo alertou-os de que ninguém poderia pretender ser mais antigo do que ele, porque ele estava lá antes que qualquer outro tivesse sido criado. Elas o mandaram calar-se.

Oríşá N’la então começou a preparar a sua própria festa. Nesse dia, tão logo a mesa foi estendida para que comidas e bebidas fossem servidas, Èsù piscou seus olhos para dois dos filhos de Oríşá N’la e eles foram imediatamente tomados por convulsões. Quando a festa estava para começar, gritos foram ouvidos vindos do Harém de Oríşá N’la e todos abandonaram a mesa de jantar para

descobrir o que estava acontecendo. Antes que qualquer um deles pudesse fazer alguma coisa, as duas crianças morreram.

O mesmo incidente, em diversas variações, aconteceu quando chegou à vez das outras divindades.

No final, todos acabaram concordando em deixar Èşu iniciar com os banquetes, e depois disso todas as outras fizeram suas festas sem atrasos ou impedimentos.

Esse incidente ilustra claramente que ninguém pode competir e confrontar Èşu. Mesmo Deus, que teoricamente tem poder para eliminá-lo da superfície do sistema planetário, permitiu que ele transitasse livremente entre os pobres e indefesos mortais. Ọrúnm.lá é a única divindade que sabe como administrar Èşu até hoje. Veremos em Obge-Odi como Èşu tornou-se um parceiro íntimo de Ọrúnm.lá. Ele é a única divindade que sabe como aplacar Èşu e obter dele o máximo de proveito. E é por isto que Ọrúnm.lá, sabendo que ele é o arquiteto do infortúnio, está sempre a recomendar seus seguidores para que ofereçam freqüentes sacrifícios a Èşu.

Qualquer um que deseje ser bem sucedido em plantar, caçar, negociar e etc, é avisado por Ọrúnm.lá para que comece dando a Èşu o seu bode. Veremos depois em Obge-Okanran como um estrangeiro recém-chegado que queria ser fazendeiro foi instruído por seus vizinhos para que plantasse nos pântanos, quando todos eles sabiam muito bem que durante as chuvas, tudo o que tivesse sido semeado nos pântanos seria destruído pelas enchentes. Ọrúnm.lá instruiu o fazendeiro para que

desse um bode para Èşu, que reagiu suspendendo as chuvas naquele ano. Todos os outros da cidade fizeram suas plantações no topo das colinas e nos vales, e suas plantações secaram pela falta de água. Todos eles então tiveram que comprar alimentos do novo fazendeiro, naquele ano, porque suas plantações no pântano tinham propiciado as mais ricas colheitas.

No ano seguinte, o novo fazendeiro foi aconselhado pelos mais velhos da cidade a fazer sua fazenda nas colinas, enquanto eles fariam as deles nos pântanos. O visitante foi novamente a Ọrúnm.lá, que mais uma vez recomendou-lhe que desse um bode a Èşu. Depois de fazer a oferenda, o fazendeiro começou a plantar nas colinas. Tendo aceitado a oferenda, Èşu veio uma vez mais para abrir a rolha com a qual havia estancado o barril da chuva do céu no ano anterior. Começou a chover tão fortemente que só a fazenda sobre as colinas floresceu imensamente. Todas as outras, feitas nos

pântanos, foram destruídas pelas enchentes. Uma vez mais a cidade inteira teve de comprar alimentos do recém-chegado durante todo o ano seguinte. Estes dois acontecimentos fizeram do novo fazendeiro o mais próspero homem da cidade. Veremos mais tarde como acabou por ser coroado Ọba de toda a região, quando considerarmos os feitos de Ogbe-Okanran, um dos ọdus de Ejiogbe.

Neste ponto, esta história tem o único interesse de demonstrar que Èşu pode ser um ajudante valioso para a pessoa que não o subestimar ou negligenciar. E é por isso que antes eu o descrevi como divindade da razão ou a interação entre o bem e o mal. Ele age de diferentes modos. Ele pode influenciar a mente de um juiz encarregado de um caso para realizar ou impedir um julgamento que afete a qualquer pessoa, dependendo de que esta tenha ou não feito oferendas a ele. Veremos depois

como ele puniu um conceituado general do exército que tinha sido mandado pelo rei em missão de conquistar uma cidade inimiga. Antes de partir para a guerra, o general buscou um adivinho, onde foi instruído a dar um bode a Èşu. Ele estava, no entanto, tão certo de sua habilidade que não considerou necessário fazer qualquer sacrifício. Aí então ele seguiu para a guerra, mas foi avisado que ficasse consciente do infortúnio que viria depois de seus atos de bravura em batalha.

Ele foi mesmo vitorioso nas batalhas, e quando voltou ao rei para narrar-lhe o seu sucesso, Èşu influenciou um dos conselheiros reais a dizer que não seria suficiente narrar como ele tinha submetido o rei da cidade dominada, mas que o General devia demonstrar como ele tinha agido.

Enquanto ele dançava e demonstrava seus movimentos com a espada, Èşu tirou a espada da mão do General e ela caiu de suas mãos ferindo o rei, que imediatamente caiu inconsciente.

O General foi imediatamente preso e acorrentado, aguardando julgamento e execução. E foi durante o tempo de prisão que o general lembrou-se do sacrifício que ele tinha deixado de fazer a fim de evitar desastres depois de sua vitória na batalha. Ele então mandou uma mensagem a sua esposa, que imediatamente ofereceu um bode a Èşu. Tendo recebido o que desejava, Èşu foi em espírito a Ọrúnm.lá, que era também o médico do rei, Orientado para que usasse um determinada folha

para fazer o rei recobrar a consciência. Ọrúnm.lá instantaneamente deixou seu palácio para curar o rei e tão logo usou as folhas indicadas por Èşu, fez com que o rei voltasse a si. Novamente, Èşu tomou conta da mente do conselheiro real que antes tinha dado a sugestão que acabara gerando a catastrófica demonstração de Luca com a espada e fez lhe desta vez, recomendar compaixão. O mesmo conselheiro apelou ao rei que se lembrasse dos bons serviços que o general já lhe prestara no passado, retomando o ditado de que “Um servo leal não pode ser condenado com base em um único erro fortuito e não intencional.” Sua sugestão foi prontamente aceita pelo rei e o general foi

perdoado e finalmente homenageado por sua vitória.

Esta história, como veremos depois, ilustra claramente o que Ọrúnm.lá tem ensinado a seus seguidores: que ninguém pode vencer uma batalha com Èşu, porque ele tem o poder de influenciar todas as criaturas e manipulá-las a sua vontade. Èşu é capaz de dominar um homem com um estalar de dedos. Os homens podem apenas evitar a cólera de Èşu, alimentando-o ou aplacando-o periodicamente, sem necessariamente terem de submeter-se a ele. Èşu é capaz de voltar pais contra filhos, tornar o inocente culpado, voltar esposas contra os maridos, bruxas contra os homens e transformar fortuna em infortúnio, dependendo apenas de que esse alguém tenha procurado sua

ajuda ou incorrido em seu desprazer.

O papel de Èşu como divindade do bem e do mal pode ser claramente ilustrado nas revelações de Irosun-Irete, que nos contarão mais tarde como um sacerdote chamado Okpini fora advertido por Ifá para que nunca deixasse sua casa para dar consultas fora, sem antes oferecer, cedo pela manhã, um inhame assado a Èşu, por sete dias seguidos.

Ele seguiu a advertência ao pé da letra por seis dias consecutivos. No sétimo dia, foi intimado muito cedo, pela manhã, para ir ao palácio real, porque o rei precisava dele para uma decisão urgente. Sem esperar para dar primeiro o inhame assado a Èşu, ele partiu apressadamente para o palácio, apesar de ter intenção de fazê-lo tão logo retornasse à sua casa. Èşu ficou aborrecido e decidiu fazer com que o sacerdote pagasse por ter dado maior deferência ao rei do que a ele.

Okpini foi ao palácio e lhe disseram que as coisas não iam indo bem para o rei. Ele disse que os súditos não estavam pagando seus impostos pontualmente e, com isto, a fortuna do palácio vinha diminuindo. O rei queria que ele descobrisse porque isto estava acontecendo e como melhorar a situação. Após a consulta oracular, Okpini disse ao rei que fizesse o sacrifício e a situação daria sinais de melhora naquele mesmo dia. Ele predisse que após o sacrifício, caçadores trariam ao palácio naquele dia: uma serpente, um veado vivo e notícias de dois caçadores que tinham conseguido abater um búfalo e um elefante.

O rei seguiu rapidamente as prescrições e ficou esperando que as predições de Okpini se manifestassem. Terminado o trabalho, Okpini voltou para casa, todas as suas predições iriam se mostrar verdadeiras, mas Èşu estava determinado a impedir que elas se manifestassem.

Enquanto isso, Èşu se transfigura em um velho cidadão e toma posição na ponte que dá acesso à cidade (Ubode em Yorùbá). Quando o homem com a serpente chega, o ancião diz a ele que, no seu próprio interesse, não vá ate o palácio, porque o rei está fazendo certos sacrifícios e os sacerdotes de Ifá lhe tinham recomendado que qualquer caçador que viesse ao palácio com qualquer animal, ou para contar que tivesse abatido qualquer caça (era tradição, naqueles tempos, que qualquer pessoa

que abatesse um animal grande deveria contar ao rei para render-lhe homenagem), deveria ele mesmo (o caçador), ser usado como vítima do sacrifício que estava sendo oferecido no palácio naquele dia.

Tão logo o homem que trazia a sucuri ouviu as más notícias, agradeceu o velho homem e sentou-se perto da Ubode para esperar. O homem com o veado vivo, o que havia matado o búfalo e o que havia matado o elefante também se refugiaram temporariamente perto da ponte. Todos eles acabaram passando a noite ali, nem ousando entrar na cidade e muito menos ir até o palácio.

Depois de esperar em vão que as previsões de Okpini se tornassem verdadeiras, o rei se aborreceu e, na manhã seguinte, mandou chamar Okpini mais uma vez. Desta vez, Okpini já tinha dado o inhame a Èşu, embora com atraso.

Chegando ao palácio, o Ọba acusou-o de incompetência e de ser mentiroso e trapaceiro. Ele estava irremediavelmente em desgraça. Deprimido, Okpini retornou a sua casa, embrulhou seu Ifá e jogou-o no rio Oşun, por tê-lo enganado nas predições.

No entanto, tão logo ele tinha deixado o palácio, Èşu, que já tinha recebido seu inhame, foi contar aos caçadores que aguardavam na Ubode, que os sacrifícios no palácio haviam terminado, e que o caminho estava aberto e que eles poderiam prosseguir até o palácio. Todos eles chegaram lá ao mesmo tempo para renderem suas homenagens ao rei.

O rei admirou-se de que todos eles tivessem chegado ao palácio ao mesmo tempo e perguntou-lhes se por acaso todos teriam ido caçar no mesmo lugar. Em resposta, eles lhe contaram, sem medo, como tinham passado a noite na Ubode, embora, na verdade, tivessem chegado à cidade na véspera.

Nesse momento, o rei entendeu que as previsões de Okpini tinham se cumprido na íntegra, mas que as malévolas maquinações de um desconhecido tinham assustado os caçadores. O rei mandou rapidamente um chamado a Okpini, pedindo-lhe desculpar por incomodá-lo tão cedo. Disse-lhe então que todas as previsões tinham se realizado, recompensou-o e conferiu-lhe um alto título.

Okpini mais tarde voltou para casa à frente de um cortejo triunfal.

Tão logo chegou a casa, correu para o rio Oşun para recuperar seu Ifá e, ao chegar a casa, apaziguou-o com a oferenda de uma cabra que o rei lhe havia dado. Os leitores podem imaginar como, falhando em dar um mísero inhame assado a Èşu, tantos transtornos foram causados. È por isso que, no culto de Ifá, as pessoas são sempre ensinadas a fazer as oferendas prescritas para Èşu sem qualquer demora.

Um exemplo final é dado em Irosun-Osa, o do barbeiro real que é alertado para fazer sacrifício para Èşu a fim de evitar que as suas tarefas não consigam ser completadas. Ele se recusou a fazê-lo.

Nesse ínterim o rei pede ao barbeiro que venha ao palácio lhe cortar o cabelo. Quando percebeu que o barbeiro tinha se recusado a fazer-lhe o sacrifício, Èşu se transforma em um velho cidadão e vai ao barbeiro para cortar o cabelo, chegando exatamente na hora que ele está de saída para o palácio.

O velho homem tenta convencer o barbeiro a atendê-lo antes de sair. Este faz o que pode para convencê-lo a voltar mais tarde, uma vez que está indo atender o rei, mas não consegue.

Finalmente, decide, pelo preço de 5 kobo, cortarem o cabelo do ancião. Mas aí percebe que à medida que vai cortando-lhe o cabelo, este vai crescendo, instantaneamente, e apesar de levar o dia inteiro cortando o cabelo do homem, nem um único fio de cabelo cai no chão.

No fim do dia, o velho acusa o barbeiro de ineficiência e recusa-se lhe pagar o combinado porque o seu cabelo e está mais comprido do que estava antes de vir cortá-lo. E é nesse ponto que o barbeiro, tendo desapontado o rei naquele dia, entende que devia ter feito o tal sacrifício. O que deve ser observado nessas análises é que, como todas as outras divindades, Èşu é invisível e pode influenciar situações e fatos de diversas maneiras. É errado supor que Deus espere de nós, simples mortais, que antagonizemos Èşu, porque nós nem ao menos podemos vê-lo para abrir-lhe combate. Ele opera em espírito e, muitas vezes, age por procuração. A regra do culto a Ifá é dar a Èşu o que quer que seja necessário para agradá-lo, e, às outras divindades, o que elas desejarem, e só assim alguém poderá ter a chance de atingir os objetivos de seu destino.

À medida que vivemos, não temos meios de nos confrontar com forças invisíveis, querem elas tenham boas ou más influências em nossas vidas. Verdade é que, à medida que seguimos as regras de ouro, fazendo às outras criaturas de Deus aquilo que esperamos que elas fizessem para nós, estamos diretamente a serviços de Deus. Mas isso não significa que não estaremos vulneráveis a outras forças malignas, invejosas de nossas virtudes e determinadas a expulsar os atributos da bondade da face da terra. Ọrúnm. lá revela que, o modo como Deus espera que nós reajamos a estas forças do mal não é fazendo o mal, mas defendendo-nos delas.

A questão agora é como os seres humanos que se queixam das maldades dos outros contra eles, podem eles mesmos pedir absolvição total por praticar o mal?

O chefe de um escritório que insiste que seus subordinados lhe paguem propinas antes de promovê-los, chefes homens que insistem que seus subordinados do sexo feminino, casadas ou não, vão com eles para a cama antes de serem recomendadas para receber seus direitos de rotina e/ou privilégios, o trabalhador que exige propina de uma concessionária antes de garantir isenções estatutárias ou cívicas, o policial que recebe propina um caso, de modo a alterar o curso da justiça, o bancário que causa prejuízos ao público fazendo operações de câmbio no mercado negro, assim impedindo que esse dinheiro seja usado para cumprir obrigações nacionais legítimas, aqueles que usam meios físicos e diabólicos para buscar a morte de alguém que esteja atrapalhando seu caminho de ganho, lucro, promoção ou competição, qualquer pessoa que falsifique uma situação à custa de outros para seu ganho pessoal, qualquer pessoa que participe da conquista de uma posição ou indicação, em detrimento de outros e para seu próprio benefício, qualquer um que roube seu vizinho abertamente ou não, e qualquer funcionário público que inflacione o custo de um projeto ou contrato para aumentar sua própria comissão, não pode esperar invocar a graça de Deus, não importa quão fervorosas sejam suas preces. É um princípio fundamental das regras da divinosfera que aqueles que buscam a bênção das divindades, devem fazê-lo se tiverem às mãos razoavelmente limpas. Nenhum homem pode, sob qualquer justificativa, esperar melhor justiça dos poderes superiores denegrindo a integridade de outros, quando são, eles mesmos, culpados de ofensas semelhantes.

Quando nos engajamos em qualquer prática que não seja sadia, estamos agindo como agentes do mal e não como servidores de Deus. Se uma pessoa dessa espécie está rezando ou pedindo algo e espera que Deus e suas divindades escutem suas preces, está simplesmente esperando extrair água de uma pedra Assim sendo, é razoável concluir que desde que não são muitas as pessoas que servem a Deus de maneira correta, é lógico que partamos para a segunda melhor alternativa: a de encontrar Deus através de seus agentes, as divindades e conseqüentemente aplacando as forças do mal, das quais nós mesmos não estamos livres. Em outras palavras, aqueles que estão verdadeiramente limpos de coração, e eles são poucos e estão longe, podem ousar ignorar Èşu e prosseguir. Mas na medida em que nadamos nos banhamos e bebemos da correnteza do mal, não estamos em posição de condenar Èşu. É só através do bem absoluto que podemos lutar e nos precaver contra Èşu. É por isso que no Novo Testamento, quando a multidão quer apedrejar Maria Madalena por prostituição, como era costume entre os judeus naqueles tempos, Jesus pediu que qualquer pessoa daquela multidão que se considerasse livre de pecado, atirasse a primeira pedra, e ninguém atirou.

É assim que Ọrúnm.lá, a divindade da sabedOría, nos ensina que a melhor abordagem a Èşu é tentar apaziguá-lo para que ele não obstrua os caminhos de nossa vida, porque nós não somos suficientemente fortes, nem física, nem espiritualmente, para lutar contra ele.

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O EFEITO DAS OFERENDAS SACRIFICAIS EM NOSSAS VIDAS.

Nos dicionários usuais, a definição de “sacrifício” é oferenda de alguma coisa para uma divindade.

Um ato de abnegação em favor de outrem, privação de uma coisa muito apreciada, por cobiçar uma coisa valiosa ou por um pedido de máxima urgência.

Assim diz Addison: “Se tu preservas minha vida, teu sacrifício poderá ser…” Sejam quais forem os desejos pessoais tidos no céu ou na terra, envolvem algum sacrifício ou entrega de alguma coisa. A vida não transcorre apenas com lucros. Também envolve doação, por isso se diz que a vida é um processo de doar e receber.

O sacrifício mais simples que alguém pode fazer por algo é o tempo. Sacrificar tempo e esforço seja na quantia que for sempre é tido como válido, obviamente em simples comparação ao pedido, pode envolver sacrifícios de vaidade humana e de independência. Quantas coisas alguém pode ganhar de outrem sem implorar por isto, subornando ou fazendo alguma compensação ou gratificação maior, tendo mesmo até que comprometer sua palavra em adiantamento.

Quando existe, portanto a necessidade de realização de um desejo ou pedido de proteção de uma divindade, um grande sacrifício é exigido. Não é suficiente merecer pedir por tais benefícios ou favores. Envolve obrigatoriamente sacrifício físico. Há sacrifícios envolvendo a oferta de objetos animados ou inanimados.

Quando alguém solicita algum tipo de progresso ou de lucro, isto envolve alguma espécie de investimento, assim como um fazendeiro que sacrifica parte de suas sementes para a plantação no ano seguinte, a fim de colher uma safra no final do ano, ou então um negociante que investe suas economias ou seus fundos de empréstimos em seus próprios negócios a fim de receber os rendimentos que irão satisfazer as suas necessidades recorrentes.

Desta forma, se alguém se comporta bem na divinosfera, receberá deles o necessário, o que irá facilitar no pedido de auxílio a outrem. Por isso, o último recurso na religião de Ifá é fazer um sacrifício.

Ọrúnm.lá diz que sacrifício é resgate, quaisquer que sejam os problemas, pode se dispor de algum tempo para solucioná-los ou para se dedicar a algo que venha a criar crédito, assim quando houver areal necessidade de fazer um sacrifício de acordo com o oráculo e o fizer prontamente, haverá a confiança de uma assistência.

Ọrúnm.lá revela que antes de alguém partir do céu para o mundo, ele aconselha a conseguir autorização das divindades Orientadoras. Se a pessoa aceitar o conselho dado para fazer o sacrifício, certamente encontrará uma estadia tranqüila no mundo. Mas se ele se recusa, a menos que faça o sacrifício depois de sua chegada ao mundo, ele estará propenso a ter problemas na terra.

Nós veremos nas vidas dos 256 Ọdus e Olodus, que virtualmente todos eles foram avisados a fazer sacrifícios antes de deixarem o céu. Nós também veremos o que aconteceu com aqueles que fizeram o que foi recomendado, assim como para aqueles que falharam em fazê-lo.

Todos esses sacrifícios envolvem a oferta de um ou mais bodes para Èşu, que pode ser muito útil para aqueles que fazem oferendas para ele e trazer a destruição da sorte daqueles que se recusam a fazê-lo. Esse é o motivo pelo qual algumas pessoas se referem a ele como a divindade do suborno, porque ele não auxilia a ninguém gratuitamente.

A diferença fundamental entre Ọrúnm. lá e as outras divindades é que de certa forma na época em que eles foram criados por Deus, ele foi o único que reconheceu os poderes destrutivos de Èşu e concebeu uma estratégia para ter uma harmonia com ele. Esta estratégia foi o sacrifício, ele compreendeu que Èşu estava interessado apenas em reconhecimento e comida. Èşu freqüentemente diz a Ọrúnm. lá: “Meu amigo é aquele que me respeita e alimenta, enquanto que meus inimigos são

aqueles que desrespeitam e me fazem passar fome. Eu nem tenho uma fazenda ou um negócio próprio. “Minha fazenda é o universo e minhas mercadorías são as criaturas de Deus.”

Veremos mais adiante que ele é capaz de se infiltrar e mutilar qualquer coisa criada por Deus. É por este simples reconhecimento do poder dele e como ele tem feito uso disto para sua própria vantagem, que Deus nomeou Ọrúnm. lá “Alguém que é sábio e sensato”.

Oyekumeji revelará adiante como a vida de um homem chamado Odo Agutan (o pastor celeste) ou (JewÈsùn como Ifá o chama) teve uma vida curta na terra por conta de sua recusa em fazer as oferendas a Èşu antes de sua partida para a terra. Depois dando lhe nova chance de mudar sua opinião, por fim Èşu se infiltrou no seu rebanho e pôs fim a sua vida. Isto é a despeito do fato que quando JewÈsùn foi diante de Deus para fazer seus pedidos para a estadia na terra, ele se comprometeu em viver fisicamente no mundo por cem anos, e jurou que durante aquele período ele estaria indo para liquidar qualquer vestígio do mal e da mão de Èşu da face da terra.

Mesmo assim ele foi advertido em fazer sacrifício para Èşu, o qual ele recusou enfaticamente a fazer, por que ele não podia imaginar a lógica de fazer um sacrifício para um vilão que ele estava indo combater. O resto da estória é história e as forças do mal continuam a ter sucesso na face da terra.

Estas afirmações não são suficientes para sentenciar Èşu como o “demônio”; que não faz o bem, ele pode ser um dispersador de boas novas, dependendo da atitude de alguém para com ele.

Da mesma forma, na vinda para o mundo, ao homem é exigido fazer ainda mais sacrifícios para tudo o quanto ele desejar ter. Veremos que nenhum problema na vida pode resistir à eficácia do sacrifício fornecido e feito pontualmente, veremos também a vida das pessoas que após recusar fazerem os sacrifícios iniciais, foram obrigadas a fazê-los em dobro quando se viram entre o demônio e o profundo mar azul.

Há tendência de se pensar freqüentemente que um sacerdote de Ifá que recomenda sacrifício com animais como cabritos, carneiros ou bodes, simplesmente quer uma desculpa para ter carne para comer à custa de um consulente desamparado. Longe disto! Qualquer sacerdote que recomende mais sacrifício do que é ordenado por qualquer motivo, pagará por ele dez vezes mais. Do mesmo modo, Ọrúnm.lá igualmente recomenda aos seus sacerdotes a usar o seu próprio dinheiro para

financiar sacrifícios para consulentes demonstravelmente destituídos. Ele apregoa desta maneira que os sacerdotes serão recompensados dez vezes. Veremos de Ofun-Ogbe, como Ọrúnm. lá usou seus próprios materiais e dinheiro para fazer sacrifício para Oríşá N’La e como ele foi conseqüentemente compensado duzentas vezes.

Existem dois sacrifícios principais os quais não podem ser negligenciados, são para Èşu e para Ògún. O escritor tem visto pessoas a quem foi recomendado fazer sacrifício assim para Èşu, mas recusaram e apenas poucos dias depois passaram por grandes dificuldades.

Um jovem foi avisado a dar um bode a Èşu a fim de evitar ser preso por um delito que ele não cometeu. Ele não se recusou a fazê-lo, mas prometeu ao sacerdote de Ifá que faria quando recebesse seu salário no final do mês. O sacerdote preveniu o jovem de que o perigo previsto no oráculo era muito iminente para o sacrifício poder esperar. O jovem que também era um homem (Aladura) me contou á parte, que sua igreja tinha visto a mesma coisa para ele, mas que ele tinha sido avisado para oferecer um jejum e orações especiais.

O sacerdote de Ifá, um homem muito velho em seus 90 anos, contou lhe que se ele mesmo tivesse o dinheiro, faria por ele, deste modo ele poderia indenizá-lo no final do mês. O escritor também se ofereceu para ajudá-lo, mas como o homem orgulhoso cujo pedido é lei, preferiu esperar até receber seu próprio salário.

Exatamente três dias depois, um batalhão de policiais armados invadiu a casa na qual o jovem morava, na busca de um ladrão armado. Todo mundo sabia que o jovem não tinha histórico de comportamento criminoso. Mas ele foi inadvertidamente arrastado pelos policiais e levado embora.

Ele ficou em detenção por 23 dias. Tão logo o escritor foi informado do incidente, ele viajou ao Benin par informar a mãe da vítima sobre o sacrifício que ele tinha sido recomendado a fazer. O escritor finalmente financiou e o sacrifício foi feito rapidamente. Três dias depois de o sacrifício ter sido feito, o jovem foi solto, após o verdadeiro culpado ter sido capturado. Uma mera coincidência alguém poderia imaginar.

Há também o caso de outro homem que foi avisado pelo sacerdote de Ifá a oferecer um galo e um cão a Ògún pelo oráculo, ele fez num sábado de manhã. Foi recomendado a ele não viajar a lugar nenhum antes de fazer o sacrifício. Ele deu dinheiro a sua esposa para comprar o material sacrificial e foi visitar um amigo. Na casa deste amigo ele recebeu a notícia de que a mãe de seu amigo estava

seriamente doente em uma vila chamada Igousodin, mais ou menos a 16 km de Benin. Esquecendo o aviso que tinha sido dado e antes de fazer o sacrifício, decidiu conduzir o seu amigo em seu próprio veículo até a vila de sua mãe.

No caminho para a vila, ele encontrou um cortejo fúnebre, e ele dirigiu no meio da multidão, matando dois dos oficiantes do funeral. Seu carro não foi apenas queimado, como foi linchado para morrer. Estas lembranças são dolorosas, porque a vítima infeliz era um amigo querido.

De igual importância é o sacrifício para seu próprio guardião (Eleeda ou Ehi). O próprio guardião de alguém é um pouco mais paciente e favorável. Entretanto todo sacrifício que alguém é recomendado a fazer para ele deve ser feito até se implicar em empréstimo de dinheiro para fazê-lo.

O guardião não pede sacrifício a não ser que tenha um motivo para usar o sacrifício para satisfazer a outra divindade cuja proteção não pode ser angariada facilmente. Quanto a não alimentar o anjo guardião de alguém com os sacrifícios prescritos, equivale a sua própria inanição.

O guardião é o conselheiro de alguém e advogado na divinosfera.

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O RELACIONAMENTO DO HOMEM COM DEUS.

Esta questão tem ocupado a atenção de pensadores através das eras. Alguns filósofos argumentam que a relação entre Deus e o homem é como a relação entre um pai já falecido e seus sobreviventes. Outros têm argumentado que Deus viveu uma vez, mas que morreu há muitos milênios atrás e que é seu espírito que continua a Oríentar as questões do sistema planetário, da mesma maneira que alguns acreditam que as almas dos ancestrais continuam a ditar as principais regras de algumas questões. As revelações de Ọrúnm.lá confirmam que a existência de Deus não pode e nunca poderá ser objeto de debate. A maneira pela qual ele tem ordenado o projeto do céu e de toda a terra e também a justiça divina para aqueles que contrariam as leis naturais, são provas inquestionáveis para as regras intervencionais de Deus em nossas vidas. É minha visão que o conceito de uma personalização e personificar Deus, que está velando constantemente os assuntos de todas as suas criaturas onde quer que elas possam estar, pode conclusivamente ser defeituosa. A idéia de um Pai impiedosos que condena infratores para sempre ao fogo eterno do inferno é simplesmente uma atrocidade e insustentável. Se um simples mortal não pode ser impiedoso o bastante para condenar uma criança má aos lobos ou ao fogo abrasador, por que deveria alguém pensar do Pai como sendo ainda pior que um humano cruel. As punições para algumas contravenções as leis naturais são postas abaixo, elas não estão baseadas na vontade de Deus. Portanto nós não esboçaremos para Deus uma figura de um disciplinador, que se assenta a julgar tudo e todas as ofensas cometidas por suas criaturas. As sanções penais por ofender as leis da natureza são retribuídas automaticamente. Elas são similares à aplicação das leis terrestres. A lei representa reforço cumprindo o ditado contra alguma ofensa independente de ser ele ou não filho daqueles que fizeram a lei, que está acima de algumas circunstâncias normais. É desnecessário dizer portanto que Deus não pode causar dano a espécie humana, é o modo que está decretado para fazer, para aqueles que transgridem as leis naturais. Assim sendo, nenhum dano “feito por Deus” ao homem deixa de ser um dano feito a ele mesmo, já que a humanidade é uma personificação do Seu próprio ser. Deus é o mesmo para tudo que existe, o que inclui ambas as criaturas orgânicas e inorgânicas. Nós todos desempenhamos um papel ou outro para fazer o Corpo de Deus todo trabalhar com mais eficiência. As forças do bem e do mal coexistem dentro de Sua composição fisiológica, assim como eles existem dentro dos nossos corpos microscópicos. A relação entre Deus e nós mesmos é análoga ao nosso relacionamento com os organismos vivos que funcionam dentro dos nossos corpos. Para atuarmos e vivermos como seres humanos, nós temos milhões de células agindo dentro dos nossos corpos, cada qual representando um papel distinto. Não há forma pela qual influenciarmos diretamente o caminho destas células a executarem suas funções individuais, exceto por meio de nossa conduta geral. Por exemplo, quando alguém bate uma de suas mãos na mesa para marcar um ponto, esse alguém causou dano a centenas ou milhares de células vivas dentro de algum corpo e há células que talvez tenham estado suplicando dentro de algum corpo por algum tipo de libertação. Do mesmo jeito, qual emoção pode proporcionar para Deus matar centenas ou milhares de suas criaturas, componentes da espécie humana, plantas e animais em um terremoto? Fazê-lo não lhe dá prazer nem quando o mundo destrói a si mesmo nas guerras. Guerras são conflitos intrafratricidas dentro do corpo de Deus, visto que os conflitos fazem parte do processo da vida. Nós não temos como antever os pedidos e aspirações dos organismos vivos dentro do nosso corpo, exceto que suas condições refletem em nosso próprio visual e saúde. Se eles estão saudáveis e sadios, fazem bem o seu trabalho e também se sentem saudáveis. Ao mesmo tempo, Deus está feliz quando as minúsculas células dentro de seu corpo, plantas, animais, água, fogo, sol e lua, homens e mulheres estão todos executando suas funções satisfatoríamente e com alegria. Ọrúnm.lá por outro lado revela que Deus uma vez teve existência física e que era freqüentemente possível para auxiliares próximos, às divindades e seres vivos interagirem com ele, como nós abertamente interagimos com nossos pais. Como o sistema planetário expandiu em tamanho e população, a tarefa de dar ouvidos a todo mundo veio a ser embaraçosa, ao ponto que Ele decidiu evaporar no ar fino. Contudo antes de fazê-lo deste modo, ele designou as 200 divindades para assumirem a responsabilidade de julgar e intervir nos assuntos do céu e da terra. Não é portanto um acidente da histOría que cada uma das variadas divindades tem seus próprios seguidores e adeptos. Os adoradores de Ògún, Ọşun, Olokún, Oríşá N’La, Şàngó, Cristo, Buda, Bruxaria, Judaísmo, Ọrúnm.lá, Asuppuru, etc, mas não têm justificativa para reivindicar superiorídade em sues meios de adoração acima dos outros, porque de acordo com a revelação de Ọrúnm.lá, cada um destes ramos vai para diferentes partes do mundo para auxiliar as forças do bem a predominarem sobre as forças do mal. O denominador comum entre todos eles é que aconselham seus seguidores a não fazerem mal algum e não destruir seus companheiros, porque e contra as leis naturais. Eles (as divindades também) todos estão sujeitos as leis naturais, que seus seguidores então façam aos outros o que também desejam para si mesmos. Aqueles que contrariam esta regra de ouro, levam a sua gratificação apropriada aqui mesmo na terra. Tendo em vista o que já nos foi mencionado, é claro que a relação entre Deus e os homens é comparada ao Pai que envia suas crianças para fora de casa para seguirem diferentes vocações para o progresso de toda a família. O pai envia a cada uma de suas crianças o discernimento para determinarem como melhor cumprirem suas tarefas. Ele está interessado apenas no resultado final dos esforços de suas crianças. Deus nos criou com mãos, pés, inteligência e discernimento para possibilitar nos virarmos por nós mesmos dentro das amplas regras do conjunto de ética chamado de Leis Naturais. Deus não veda a ninguém fazer o bem ou o mal, porque está decretado nas leis naturais que assim como a noite segue o dia, qualquer um que faz o bem terá boa chegada em seu caminho e aquele que faz o mal sem dúvida colherá os frutos do mal. Ọrúnm.lá revela que Deus apenas ri em duas circunstâncias, uma quando uma pessoa perversa que tramou o mal contra o seu próximo, vai de joelhos implorar a Deus por um favor, Deus ri imensamente. Por outro lado, quando pessoas estão tramando contra uma pessoa com um coração limpo, e eles rezam a Deus para abençoar seus planos maléficos, Deus se ri deles. Se você planta milho, você simplesmente pode esperar colher milho. Ninguém pode justificavelmente esperar que a serpente dê a luz a uma ave. Isto é contra as leis divinas do universo. Este é o motivo pelo que as divindades só podem dar ouvidos para a voz dos justos. Aqueles que recorrem ao uso de remédios diabólicos para obter sucesso em suas intenções maléficas, não angariaram o suporte das divindades. Nem Deus e nem algum de seus servos cooperará com alguém que reza por ajuda para destruir ou prejudicar seus amigos, companheiros ou vizinhos. Envolver-se em má conduta uns contra os outros companheiros na esperança que após isto implorando dia e noite pode salvar alguém dos longos braços da justiça divina, é com certeza colocar a eficácia da oração em dúvida. Qualquer pessoa só pode desejar ter sucesso se também encorajar o sucesso alheio. Ninguém pode obstruir constantemente a ação da justiça e esperar altos poderes para fazer justiça à causa de alguém. Esta é a Lei Divina (do justo retorno). Muitos mensageiros do céu têm através das eras tentado ensinar o mundo como servir a Deus. Todos eles têm enfatizado, sem exceção, que o único caminho verdadeiro servo de Deus é fazendo o bem para nossos amigos, companheiros, vizinhos e até mesmo inimigos. Que favor pode esperar o homem de Deus, quando ele se recusa a usar seu carro para levar a esposa do seu vizinho ao hospital quando ela entra em trabalho de parto? O homem que nega seu carro, passará a uma vítima moríbunda de um acidente sem nenhum auxílio para levá-lo ao hospital, mesmo buscando a ajuda de Deus dezesseis vezes por dia, não virá a ele, por que ele não propagou isto anteriormente. Se ele houvesse prestado auxílio a um necessitado em seu momento mais crítico, Deus também poderia vir ajudá-lo através de alguma fonte quando ele estivesse em dificuldades. Podem as orações trazer libertação ao homem que recusou ajudar um colega de trabalho com N2,00 para alimentar sua família, quando de fato ele tinha acima de N300,00 em seu armário de cozinha naquele momento tão crítico? Não devemos orar pelo que não temos ganhado (pedir indiscriminadamente). Nós apenas podemos angariar a benevolência das divindades, se não hesitarmos em auxiliar aqueles que necessitaram de nós em momentos anteriores. Aqui se encontra a similaridade entre a oração e o sacrifício. Para que a oração se manifeste deve estar claro que o ofertante tenha sacrificado previamente seu esforço, hora ou dinheiro a ajudar ao necessitado. Isto se aproxima estreitamente ao sacrifício físico feito freqüentemente às divindades quando desejamos angariar sua ajuda. Este é o motivo pelo qual Ọrúnm.lá recomenda a seus seguidores nunca recusar ajuda a amigos, vizinhos ou companheiros necessitados. Veremos como as forças das trevas punem o homem que ocultou o cervo, o qual matou no mato, parecer com um cadáver humano, simplesmente porque ele não queria que nenhum dos membros de sua comunidade partilhasse dele. Ele perdeu duas de suas crianças antes de ser capaz de relacionar casualmente a sua traição com a morte de suas crianças. De fato Ọrúnm.lá avisa a seus seguidores para ter sempre comida em casa, de acordo com a possibilidade, com o intuito de que visitantes famintos encontrem o que comer. Ele assegura que qualquer um que se porte desta forma, nunca será rejeitado de forma que só irá consolidar sua hospitalidade. Portando nos mantendo no bom caminho, e nos Oríentando para fazê-lo, conseguiremos permanecer felizes como alguém que só é verdadeiramente feliz fazendo os outros felizes. Há muitas pessoas ingratas no mundo, mas a vítima da ingratidão sempre vive muito mais que o ingrato. A estória de como Deus enviou Nene ir buscar caracóis (igbin) para sacrifício. Sem fazer questionamento algum ela partiu para sua tarefa. Deus a chamou de volta para lhe entregar quatro presentes para a jornada, uma noz de cola (obi), uma pimenta (ataare), um pedaço de giz (ẹfun), e uma peça de pano branco. Ela sabia que naquela época os caracóis não estavam disponíveis no céu, mas ela estava determinada a vasculhar toda a extensão e largura do céu e da terra para trazer os caracóis. Depois de vagar no mato por algum tempo, Eşu a divindade do mal, se transfigurou em quatro tipos diferentes para colocá-la a prova. Primeiro uma velha senhora apareceu para ela e implorava por giz para fazer alguma coisa por sua filha que estava em trabalho de parto. Nene a favoreceu com o pedaço de giz que Deus tinha lhe dado. A seguir um velho senhor apareceu para ela implorando por um pedaço de pano branco para levar remédio para seu filho mais velho que estava sofrendo de convulsões. Num gesto de genuíno interesse e simpatia, ela cedeu a única peça de pano que Deus lhe havia dado. Não muito longe dali, uma mulher surgiu com uma criança chorando em suas costas. A criança estava com fome. Assim que Nene ouviu o choro da criança, correu até a mãe para saber o que estava acontecendo. A mãe explicou que tinha estado na floresta o dia todo sem nenhuma comida para dar ao seu filho. Obi era principal alimento no céu. Nene então, deu o único obi que tinha para a mulher, que ficou muito feliz. Finalmente um caçador se juntou a ela para pedir por uma pimenta, a qual ela igualmente de boa vontade repartiu. Com o que, ela tinha beneficiado com o os quatro presentes recebidos de Deus. Assim que ela deu a pimenta ao caçador, ele se afastou um pouco e retornou para encontrá-la. Ele lhe perguntou o que fazia na floresta. Quando ela explicou que fora enviada por Deus na busca de caracóis. O caçador disse-lhe para esperar. Ele abriu a pimenta e lançou as sementes no mato. Então ele disse a ela para entrar no mato na direção em que ele havia lançado as sementes da pimenta. Ela foi ao mato e viu um número incontável de caracóis. A de se notar que foi a única alternativa de Nene, dispor dos presentes para obter o que estava procurando. Se ela tivesse se acomodado em casa ou se ajoelhado na floresta para rezar para os caracóis virem até ela, teria falhado em sua missão. Pode se notar também que Deus não disse a ela o que deveria fazer com os presentes que lhe deu. Ela estava livre para usar seu próprio discernimento.

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AS ORÍGENS DOS PROBLEMAS VIVENCIADOS PELOS SERES HUMANOS NA TERRA.

Se o guardião percebe que o número de inimigos que está determinado a destruir seu filho ou filha, ou frustrar sua fortuna (sorte na vida) são muitos, ele aborda uma ou outra divindade para seguir seu filho (a) ao mundo para protegê-lo (a) contra as maquinações de tais inimigos.

Chegando a terra, se uma pessoa é afortunada de encontrar por acaso o condutor divino suficientemente cedo na vida, ele é capaz de levar uma vida confortável. Por outro lado à pessoa perde seu caminho e opta por uma religião que lhe trará os braços compridos do seu Oríentador divino, ele ou ela torna-se vítima de todas as dificuldades criadas pelos inimigos declarados (?).

Este é o porque de nossos antepassados conceberam a prática da cerimônia da nomeação como um meio de desvendando as perspectivas e problemas que esperam pelo recém nascido, a fim de iniciar cedo a remover os obstáculos de seu caminho.

Aqueles que têm vivido uma vida razoavelmente inofensiva no céu, talvez venham ao mundo sem muitos problemas. Há pessoas que são vistas ter sucesso sem muitas dificuldades na vida. Tais exemplos são contudo raros em nosso meio.

Normalmente nos tornamos adultos no mundo para descobrir a nós mesmos tendo dificuldades com nossos pais, irmãos, irmãs, colegas, contemporâneos, associados, maridos, etc…,etc., sem conhecer exatamente o porque .

Pessoas tomam antipatia por outras a primeira vista sem uma causa aparentemente visível. Ao mesmo tempo justamente quando todas as esperanças parecem ter acabado, alguém aparece do azul para oferecer socorro. Aqueles que entendem os segredos da vida não são freqüentemente surpreendidos por esses acontecimentos, por que o plano foi feito com antecedência no céu.

Ninguém vem ao mundo com mau destino. Ao contrário da idéia tida comumente que Deus ordena, seja qual for o destino que nos aconteça na terra, o Pai unicamente confirma tudo que nós desejamos para nós mesmos quando comparecemos no altar divino para fazermos nossos pedidos pela permanência na terra.

É irreal imaginar que o todo misericordioso e amado Deus discriminará ordenando a alguns a se tornarem bem sucedidos e outros a se tornarem falidos e frustrados na terra.

Todos vindo para a terra pedem por sucesso e prosperidade. Uma ilustração prática explicará este fenômeno.

Como já demonstrado no capítulo do destino, nossa vida na terra é continuação de nossa vida no céu. Como nós tivemos muitos inimigos e amigos no céu, assim nós os temos na terra. Portanto quando uma pessoa vai ante o altar divino para fazer seus pedidos para sua jornada a terra, ele roga por todas as coisas boas da vida. Quando ele completa suas preces, Deus o marca com seu cetro de autorídade e diz: “Que se faça para você.”

Quase imediatamente um maledicente vem à frente do altar de Deus no céu para dizer que logo que a primeira pessoa inicie a subir a escada do sucesso ele (a) o arrastarão para baixo. Novamente Deus avaliza com seu cetro os pedidos do inimigo do primeiro orador.

Logo o amigo da primeira pessoa vem pedir que todas as vezes que o inimigo sair para atingir o primeiro pedinte, ele (a) o defenderão. Deus também confirmará os pedidos da terceira pessoa.

A corrente de pedidos continua desta maneira, sem que ninguém saiba se as pessoas anteriores são a favor ou contra ele (a). Eles todos vão para o mundo, e podem nascer como crianças dos mesmos ou de pais diferentes. Como eles se tornam adultos, podem se ver como irmãos, irmãs, amigos, colegas de escola, colegas de trabalho, membros de um mesmo clube, namorados, maridos, esposas ou então entre esposas do mesmo marido.

Efosa estava tendo muitos problemas no céu, e ele concluiu após sua viajem retornando da terra que era um lugar interessante para viver. Ele decidiu por fim aos seus problemas no céu, viajando para a

terra.

Ele foi antes ao Divino Palácio e fez vários pedidos por prosperidade e longevidade na terra. O Pai Todo Poderoso abençoou seus pedidos e ele estava convencido de que aquilo era tudo que ele precisava.

Logo que Odioma ficou sabendo que Efosa estava partindo para o mundo, ele também jurou seguílo para acertar suas contas com ele. Foi antes ao Altar Divino para pedir por sucesso na sua empreitada de fazer Efosa quitar seu débito de 30k na terra. Madame Akuarosa que afiançou Efosa em sua dívida com Odioma, também veio ao Divino Altar para pedir que ela também viria ao mundo para auxiliar Efosa a cumprir sua tarefa de quitar o débito. Os pedidos dela também receberam as bênçãos divinas.

O guardião celeste de Efosa, sendo um anjo que opera no espírito, sabia o que Odioma e Akuarosa tinham reservado para seu tutelado na terra, o guardião de Efosa avisou-o para não deixar o céu sem pagar seu débito. Ele respondeu que se ele tivesse dinheiro suficiente, não estaria indo para a terra.

Sem fazer sacrifício de espécie alguma, Efosa partiu para a terra.

No entanto seu guardião foi a Ògún e apelou a ele para conduzir Efosa no mundo. Ògún aceitou.

Efosa nasceu posteriormente na terra numa família polígama. Ele era o quarto filho da esposa mais velha da família (primeira esposa). A irmã do pai de Efosa também dera a luz a Odioma, enquanto a colega da mãe de Efosa deu a luz a Akuarosa. Assim as crianças cresceram, viviam na mesma localidade, mas eles estavam sempre discutindo entre eles.

Um dia, Efosa estava retornando dos campos de seu pai, quando viu uma armadilha colocada por Odioma, a qual tinha pego um Grass-cutter (cortador de grama??). Ele o libertou e levou para casa como se tivesse sido pego em sua própria armadilha.

Chegando em casa ele convenceu sua irmã Akuarosa a vender o Grass-cutter para ele no mercado.

Ele foi vendido por 30K. Neste meio tempo Odioma foi aos campos e viu todos os indícios que sua armadilha tinha sido mexida. Em um exame detalhado ele descobriu todos os sinais de que sua armadilha tinha pego um animal, porque todos as farpas dos pelos do animal ainda estavam no chão. Ele não estava ciente de que Efosa tinha levado um animal para casa. Quando Odioma chegou em casa, contou sua apreensão a sua mãe, que sabia que Akuarosa tinha levado um animal ao mercado para vender no dia anterior. A mulher fez uma visita à casa de Efosa e questionou Akuarosa sobre a Orígem do animal que ela vendera no mercado. Ela respondeu que pertencia a

Efosa. Chegando em casa a mulher contou a novidade a seu filho Odioma, que teve certeza de que fora Efosa o culpado da remoção do animal. No próximo confronto que houve entre os dois, Efosa não teve opção senão confessar que removera o animal, mas que tencionava entregar o dinheiro para Odioma. Este pediu seu dinheiro, mas Efosa disse que havia gasto. Aquele débito de 30K se arrastou, até que os mais velhos intervieram.

Logo Efosa adoeceu e morreu na seqüência. Akuarosa também ficou doente, justamente antes de ser dada em casamento e ela também morreu.

Foi a vez da mãe de Efosa apelar a todas as divindades para destruir quem quer que fosse o responsável pela morte do seu filho. Assim Odioma conseqüentemente adoeceu e também morreu.

A tripla tragédia provocou uma reunião dos mais velhos da localidade, que ordenaram que as mortes deveriam ser investigadas. Um sacerdote foi convocado e a consulta ao oráculo revelou que todos eles já tinham acertado a dívida que eles trouxeram do céu para a terra. Ele informou que a tragédia só poderia ter sido revertida se os seus pais ao invés de recorrerem aos mais velhos da noite, tivessem feito os sacrifícios necessários, os quais o trio tinha falhado em fazer antes da vinda no céu.

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